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Pacata quarta-feira. Acordar tarde, lavar o rosto, trocar-se preguiçosamente, sair de bike, talvez perder o bandeco, ir às aulas à tarde, descobrir que a professora da segunda aula faltou, voltar ao lar de bike, trocar-se, ir pra festa da CÊNICAS, UHUL, FRITAÇÃO, CHAPAÇÃO, DORGAS (lícitas, todas, certamente), PAPOS DOIDOS, BREJAS (Ciurcio, te devo), DANÇAÇÃO, OMGS, NOSSENHORAS, acordar misteriosamente na cama às 7am, dormir.

Pacata quinta-feira. Acordar terrivelmente tarde, ligeira ressaca, lavar o rosto, trocar-se preguiçosamente, sair de bik… Cadê a bike? Não está com as outras bikes? Não está na garagem? Não está no jardim? Não está no armário? Não está em casa.

Onde está a bike? Só pode ter sido roubada. De dentro de casa? Eu a deixei dentro de casa? Será que a deixei na rua, esqueci de trazer pra dentro? Alguém certamente pegou na porta de casa. Eu sou tão burro? Será que alguém viu na garagem, pulou o muro e, oh, tão musculosamente a expurgou por cima do muro? Quem levou minha bike? … Eu levei minha bike?

Um lapso de tempo de, digamos, umas 9 horas. Ao sair da festa para um rápido rolê escuso, pensara em usá-la para tornar o trajeto mais rápido, mas não o fiz. Logo antes de sair para a festa, pensara em usá-la, posteriormente à mesma, para um passeio (se sóbrio). Teria este se realizado (nada sóbrio?)

Hipótese nº1: Um malfeitor de coração sombrio adentrou meu lar e furtou-me o único meio de transporte que não os chinelos.

Hipótese nº2: Deixei a bike para fora de casa, um lapso inocente, descuido insolente.

Hipótese nº3: Delirantemente beudo, parti em busca da aventura e emoção, cabelos ao vento, um sonho no coração. Caí. “Ai”, pensei, “mas é a vida”. E segui, delirantemente ignorante de minhas duas rodas.

Hipótese nº4: Pedalei confiante, estacionei com classe, desmontei elegante, mas posso ou não ter prudentemente prendido o veículo.

Prendido onde? A um bicicletário? Poste? Árvore? Transeunte? Iniciou-se a saga. Uma jornada incrível através de um campus sem fim. Primeiro dia. Não está no bandeco, no IA, IFCH, CB. Segundo dia. Não está na Química, Praça da Paz, Mecânica. Quarto dia. Não está no Barracão, Arquitetura, reitoria. Não está.

Não existe. Foi furtada. Roubaram minha bike, de dentro da minha casa. Ou de fora. Ou na rua. Não há mais bike. Não há mais cabelos ao vento, nem trajetos rápidos, nem esperanças de “‘Nossa, Gabs, vc tá magro, oq houve?’ ‘Ah, eu tenho uma bike!'”, porque eu não tenho uma bike.

Sete dias. Que resta senão a lamúria, o pranto, a recorrente angústia pelos km’s a se percorrer, chinelos a se gastar? Nada mais resta, senão colar no posto e pegar uma Bavária. Nada além de um pastel de pizza frito na hora, pra acompanhar o caminho da vida.

Treze dias. Tudo que há é um resquício da luz que um dia me iluminou em domingos velozes. Uma memória vaga do vento, então brisa leve contra o nariz pedalante. Um jovem inconsolável no bar da 1, entre amigos esforçados a felicitá-lo. Uma conta paga. Um caminhar triste para fora do recinto. Um vislumbre inesperado, à grade da pastelaria, da bike que outrora perderPUTA QUE PARIU, MINHA BICICLETA, HAHAHAHAHAHA!!!

Depois da festa, esclarecido foi por um amigo bem posicionado naquela noite, fui ao posto, nunca saberei se para comer ou beber mais. Não estivesse tão preocupado com o sabor do pastel ou a Schin a R$2, teria percebido minha amada 1 ou 2 semanas antes. Hoje sou novamente feliz.

Caro monstro debaixo da cama,

Oi. Sou eu, o menino que dorme em cima da cama. Tudo bom? Estou escrevendo essa carta porque ando me sentindo muito chateado com a nossa situação. Nós nunca nos vimos antes e eu não sei o motivo, até porque dividimos o mesmo quarto há tanto tempo.

Será que não é porque o senhor se sente meio envergonhado? Se for isso, tudo bem. Eu até entendo. Quando eu chego num lugar que não conheço ninguém, eu também prefiro ficar sozinho. Não é que eu não gosto de amigos, mas aí todo mundo já tem os deles, menos eu. Então eu fico em algum canto brincando só comigo mesmo. Mas ia ser mais legal se eu estivesse com alguém.

Acho que as outras pessoas não sabem disso, porque elas já estão brincando com os amigos delas. Elas não prestam atenção. Vai ver elas até me vêem brincando sozinho e acham que eu prefiro assim. Eu não tenho coragem de ir dizer pra elas. Mas e se elas também tiverem medo de vir me perguntar?

E você costuma ficar aí embaixo. Eu sempre te ouvia fazendo seus barulhos de monstro, mas nunca queria te ver de perto, não sei mais porquê. Nunca te dei um oi, nem falei com o senhor. Será que você não quer uma companhia? Se sim, isso tudo é uma coisa muito boba. Nós devíamos ser amigos e não só dividir o quarto!

Queria te convidar para nos conhecermos uma noite dessas, se estiver tudo bem pro senhor sair daí de baixo. Podemos marcar pra quando quiser, mas também não tem problema aparecer sem avisar. Não temos que ficar fazendo cerimônia.

Estou deixando a carta aí embaixo pra que encontre assim que chegar. Depois procuro a resposta no mesmo lugar.

Atenciosamente,
o menino em cima da cama.

Breve

Leu a data de validade do iogurte e tomou consciência da efemeridade de toda a existência. Um dia sua respiração cessaria, algum tempo antes de o sol explodir, consumindo os 3 mundos mais próximos de si. Ainda chegaria o tempo em que a última arara-azul cantaria pela última vez e em que não haveria mais Kit-Kats nos mercados. Sua cartela de anticoncepcionais acabara no dia anterior, junto com a temporada de uma série com baixa audiência. Entrou em pânico ao reconhecer que absolutamente tudo alcançaria seu fim.

Ouviu o sinal ao término do intervalo entre aulas. Esqueceu-se do resto. A epifania passou.

Dedos sujos

Mais um conto escrito. História sangrenta, de uma irretocável crueldade. Foi dormir tarde, mas com plena satisfação. Nem acordou pra ver o crime no telejornal da manhã.

Maquinismo

Mitologia

O Maquinismo é uma religião que anuncia o metrô como “a prolongada embarcação sagrada que levará os passageiros rumo à Estação Final”, onde chegarão ao seu destino de paz plena, junto ao todo poderoso Tatu-de-Ferro. Os passageiros, grande massa usuária, comungam da esperança pela chegada à Estação Final dentro das embarcações sagradas. São guiados pela voz do maquinista, grão-sacerdote, que inunda toda a divina prolongação metálica com avisos de sabedoria e infinito conhecimento sobre os caminhos obscuros das profundezas. A legenda do Mapa da Rede Metroviária Ancestral, sacro registro do Maquinismo, diz que quando o último passageiro embarcar na última viagem, as portas dos templos se fecharão, para se abrirem novamente apenas às 4:40h do dia seguinte, e os fiéis serão levados à Estação Final, onde regozijarão de assentos estofados para todos, serviço de bordo e monitores individuais para assistir TV Minuto.

Apesar de constituir-se em igreja, o Maquinismo apresenta pontuais desvios doutrinários. Deve-se dar especial destaque para uma certa visão secularizada da religião, na qual a Estação Final seria bem tangível e real. No entanto, mesmo entre os secularistas há discordâncias. Uns dirão que a meta do Maquinismo é alcançar o Paraíso; outros, que é atingir a Consolação; ainda há quem deseje conquistar a Liberdade.

Origem

Assim como a maioria das religiões do mundo, a origem do Maquinismo é incerta. Presume-se que tenha surgido após 1863, nos subterrâneos da cidade de Londres, com a evolução das linhas de metrô. Por suas semelhanças com o busionismo e o já quase extinto bondismo, também é possível que estes 3 tenham tido origem numa crença comum, ou que de uma delas as outras tenham se ramificado.

Classes maquinistas

O Maquinismo possui uma rígida estrutura de classes, pela qual seus adeptos se organizam.

Passageiros

Mais baixo nesta, encontram-se os denominados “passageiros”. Esta classe é composta por vasta variedade de tipos, compondo um conjunto muito heterogêneo. Os sacerdotes, no entanto, referem-se aos passageiros como “usuários”.

Seguranças

Os “seguranças” são sacerdotes vigilantes da igreja maquinista. Seu dever é zelar pela conservação dos templos e obediência dos dogmas, garantindo que hereges sejam devidamente excomungados.

Maquinistas

Os “maquinistas” são os máximos sacerdotes da igreja. Escolhidos pelo todo poderoso Tatu-de-Ferro, eles têm a responsabilidade de guiar os passageiros pelos tortuosos caminhos do obscuro mundo subterrâneo, assim como trazer-lhes conforto interior com o anúncio da chegada a uma nova estação, representando dessa forma uma estação a menos na longa jornada rumo à Estação Final.

Heresia

O Maquinismo possui claras leis que mantêm a passageiros e sacerdotes em comunhão pacífica enquanto em seus templos. Não raramente hereges se manifestam contrariando tais leis.

Afonismo

A heresia que mais levanta indignação dentre os passageiros é o “afonismo”, a falta do uso de fones de ouvido para ouvir músicas em volume alto por meio de aparelhos sonoros quaisquer enquanto dentro da embarcação sagrada. Tornada mais comum com a desenvolvimento tecnológico dos aparelhos de telefonia móvel, a prática só passou a ser considerada herética recentemente, tendo-se constatado que os passageiros geralmente não compartilham as mesmas visões músico-culturais.

Encoxamento

O “encoxamento” é também considerada heresia grave, na qual um passageiro atenta contra a integridade física e moral de outro de modo virilhento. Existe uma dificuldade crônica em identificar os perpetradores do encoxamento, tal que costumam preferir os momentos de massiva comunhão dos passageiros na embarcação sagrada. Em compensação, a igreja afirma que estes terão uma punição especial ao desembarcar do grande trem vida, quando terão seus esfíncteres violentamente deflagrados pelo Vagão da Derradeira Penitência.

São consideradas heresias menores exalar odores enquanto em comunhão, assim como andar sem calças e bloquear os portais da embarcação sagrada com bicicletas.

Relação com o Bicicletismo

É importante destacar que bicicletistas não são considerados hereges pelo mero fato de aderirem ao Bicicletismo. Inclusive, inacreditavelmente, não só não há quaisquer dissonâncias entre o Bicicletismo e o Maquinismo, como há sim muitos pontos filosóficos e mitológicos em comum. Logo, não é raro que bicicletistas identifiquem-se também como adeptos do Maquinismo e sejam aceitos em ambas as igrejas.

A questão do acatraquismo

Há hoje feroz debate em todas as instâncias da igreja afim de definir ou não como heresia o “acatraquismo”, ato de adentrar os templos sem contribuir financeira e espiritualmente ao impulso da embarcação sagrada. Em meio a inúmeros argumentos, uns discursam que a sacralização do acatraquismo levaria à aderência de adeptos pouco esclarecidos e ao inevitável colapso dos dogmas. Outros, no entanto, defendem que a sacralização do acatraquismo é uma necessidade real, pois todos deveriam conhecer os caminhos da embarcação sagradas para alcançarem a Estação Final.

Te odeio

E, por favor, não me leve na brincadeira

Te odeio deveras.
Sinceramente.
Legitimamente.
Inenarravelmente.

É esse seu jeito infantil debiloide
Seu andar de pato quando vai embora
Sua óbvia incompetência em atingir qualquer coisa
E o seu choro carente,
Mendigando que te façam feliz.

Às vezes me dá vontade de te odiar juntinho,
Desprezando bem de perto sua cara feia
Te corrigindo a cada besteira que falar
Rindo de todos os patéticos sonhos que me conta.

Queria mesmo que percebesse como é um idiota
E então se afundasse em sua própria insignificância.
Mas te odeio assim,
Deliciosamente.

http://www.facebook.com/Gabuman/posts/262956180499171

Meu medo

Meu medo é reconhecer meus erros
As consequências da minha omissão
As críticas de quem as sofreu

Meu medo é enfrentar dificuldades
Sair da inércia confortável
Esforçar-me por qualquer coisa boa

Meu medo é encontrar minhas verdades
Descobrir minha vida por meus olhos
Seguir meu futuro do qual não há volta.