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Archive for the ‘Contos’ Category

Caro monstro debaixo da cama,

Oi. Sou eu, o menino que dorme em cima da cama. Tudo bom? Estou escrevendo essa carta porque ando me sentindo muito chateado com a nossa situação. Nós nunca nos vimos antes e eu não sei o motivo, até porque dividimos o mesmo quarto há tanto tempo.

Será que não é porque o senhor se sente meio envergonhado? Se for isso, tudo bem. Eu até entendo. Quando eu chego num lugar que não conheço ninguém, eu também prefiro ficar sozinho. Não é que eu não gosto de amigos, mas aí todo mundo já tem os deles, menos eu. Então eu fico em algum canto brincando só comigo mesmo. Mas ia ser mais legal se eu estivesse com alguém.

Acho que as outras pessoas não sabem disso, porque elas já estão brincando com os amigos delas. Elas não prestam atenção. Vai ver elas até me vêem brincando sozinho e acham que eu prefiro assim. Eu não tenho coragem de ir dizer pra elas. Mas e se elas também tiverem medo de vir me perguntar?

E você costuma ficar aí embaixo. Eu sempre te ouvia fazendo seus barulhos de monstro, mas nunca queria te ver de perto, não sei mais porquê. Nunca te dei um oi, nem falei com o senhor. Será que você não quer uma companhia? Se sim, isso tudo é uma coisa muito boba. Nós devíamos ser amigos e não só dividir o quarto!

Queria te convidar para nos conhecermos uma noite dessas, se estiver tudo bem pro senhor sair daí de baixo. Podemos marcar pra quando quiser, mas também não tem problema aparecer sem avisar. Não temos que ficar fazendo cerimônia.

Estou deixando a carta aí embaixo pra que encontre assim que chegar. Depois procuro a resposta no mesmo lugar.

Atenciosamente,
o menino em cima da cama.

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Breve

Leu a data de validade do iogurte e tomou consciência da efemeridade de toda a existência. Um dia sua respiração cessaria, algum tempo antes de o sol explodir, consumindo os 3 mundos mais próximos de si. Ainda chegaria o tempo em que a última arara-azul cantaria pela última vez e em que não haveria mais Kit-Kats nos mercados. Sua cartela de anticoncepcionais acabara no dia anterior, junto com a temporada de uma série com baixa audiência. Entrou em pânico ao reconhecer que absolutamente tudo alcançaria seu fim.

Ouviu o sinal ao término do intervalo entre aulas. Esqueceu-se do resto. A epifania passou.

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Dedos sujos

Mais um conto escrito. História sangrenta, de uma irretocável crueldade. Foi dormir tarde, mas com plena satisfação. Nem acordou pra ver o crime no telejornal da manhã.

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