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Maquinismo

Mitologia

O Maquinismo é uma religião que anuncia o metrô como “a prolongada embarcação sagrada que levará os passageiros rumo à Estação Final”, onde chegarão ao seu destino de paz plena, junto ao todo poderoso Tatu-de-Ferro. Os passageiros, grande massa usuária, comungam da esperança pela chegada à Estação Final dentro das embarcações sagradas. São guiados pela voz do maquinista, grão-sacerdote, que inunda toda a divina prolongação metálica com avisos de sabedoria e infinito conhecimento sobre os caminhos obscuros das profundezas. A legenda do Mapa da Rede Metroviária Ancestral, sacro registro do Maquinismo, diz que quando o último passageiro embarcar na última viagem, as portas dos templos se fecharão, para se abrirem novamente apenas às 4:40h do dia seguinte, e os fiéis serão levados à Estação Final, onde regozijarão de assentos estofados para todos, serviço de bordo e monitores individuais para assistir TV Minuto.

Apesar de constituir-se em igreja, o Maquinismo apresenta pontuais desvios doutrinários. Deve-se dar especial destaque para uma certa visão secularizada da religião, na qual a Estação Final seria bem tangível e real. No entanto, mesmo entre os secularistas há discordâncias. Uns dirão que a meta do Maquinismo é alcançar o Paraíso; outros, que é atingir a Consolação; ainda há quem deseje conquistar a Liberdade.

Origem

Assim como a maioria das religiões do mundo, a origem do Maquinismo é incerta. Presume-se que tenha surgido após 1863, nos subterrâneos da cidade de Londres, com a evolução das linhas de metrô. Por suas semelhanças com o busionismo e o já quase extinto bondismo, também é possível que estes 3 tenham tido origem numa crença comum, ou que de uma delas as outras tenham se ramificado.

Classes maquinistas

O Maquinismo possui uma rígida estrutura de classes, pela qual seus adeptos se organizam.

Passageiros

Mais baixo nesta, encontram-se os denominados “passageiros”. Esta classe é composta por vasta variedade de tipos, compondo um conjunto muito heterogêneo. Os sacerdotes, no entanto, referem-se aos passageiros como “usuários”.

Seguranças

Os “seguranças” são sacerdotes vigilantes da igreja maquinista. Seu dever é zelar pela conservação dos templos e obediência dos dogmas, garantindo que hereges sejam devidamente excomungados.

Maquinistas

Os “maquinistas” são os máximos sacerdotes da igreja. Escolhidos pelo todo poderoso Tatu-de-Ferro, eles têm a responsabilidade de guiar os passageiros pelos tortuosos caminhos do obscuro mundo subterrâneo, assim como trazer-lhes conforto interior com o anúncio da chegada a uma nova estação, representando dessa forma uma estação a menos na longa jornada rumo à Estação Final.

Heresia

O Maquinismo possui claras leis que mantêm a passageiros e sacerdotes em comunhão pacífica enquanto em seus templos. Não raramente hereges se manifestam contrariando tais leis.

Afonismo

A heresia que mais levanta indignação dentre os passageiros é o “afonismo”, a falta do uso de fones de ouvido para ouvir músicas em volume alto por meio de aparelhos sonoros quaisquer enquanto dentro da embarcação sagrada. Tornada mais comum com a desenvolvimento tecnológico dos aparelhos de telefonia móvel, a prática só passou a ser considerada herética recentemente, tendo-se constatado que os passageiros geralmente não compartilham as mesmas visões músico-culturais.

Encoxamento

O “encoxamento” é também considerada heresia grave, na qual um passageiro atenta contra a integridade física e moral de outro de modo virilhento. Existe uma dificuldade crônica em identificar os perpetradores do encoxamento, tal que costumam preferir os momentos de massiva comunhão dos passageiros na embarcação sagrada. Em compensação, a igreja afirma que estes terão uma punição especial ao desembarcar do grande trem vida, quando terão seus esfíncteres violentamente deflagrados pelo Vagão da Derradeira Penitência.

São consideradas heresias menores exalar odores enquanto em comunhão, assim como andar sem calças e bloquear os portais da embarcação sagrada com bicicletas.

Relação com o Bicicletismo

É importante destacar que bicicletistas não são considerados hereges pelo mero fato de aderirem ao Bicicletismo. Inclusive, inacreditavelmente, não só não há quaisquer dissonâncias entre o Bicicletismo e o Maquinismo, como há sim muitos pontos filosóficos e mitológicos em comum. Logo, não é raro que bicicletistas identifiquem-se também como adeptos do Maquinismo e sejam aceitos em ambas as igrejas.

A questão do acatraquismo

Há hoje feroz debate em todas as instâncias da igreja afim de definir ou não como heresia o “acatraquismo”, ato de adentrar os templos sem contribuir financeira e espiritualmente ao impulso da embarcação sagrada. Em meio a inúmeros argumentos, uns discursam que a sacralização do acatraquismo levaria à aderência de adeptos pouco esclarecidos e ao inevitável colapso dos dogmas. Outros, no entanto, defendem que a sacralização do acatraquismo é uma necessidade real, pois todos deveriam conhecer os caminhos da embarcação sagradas para alcançarem a Estação Final.

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